A Universidade Radboud, em Nijmegen, decidiu uniformizar os equipamentos de trabalho: a partir de agora, todos os colaboradores recebem o mesmo smartphone. A instituição escolheu a marca neerlandesa Fairphone como o dispositivo Android padrão para toda a equipa. Com esta medida, torna-se a primeira instituição de ensino nos Países Baixos a assumir explicitamente esta posição em prol da sustentabilidade.
Sustentabilidade é fundamental
Não se trata de um gesto meramente simbólico, mas sim de um passo consciente e prático para a Radboud. O comunicado oficial da própria universidade explica exatamente o porquê desta escolha pelo dispositivo sustentável. Ao optar por um equipamento com construção modular e fácil de reparar, a universidade pretende estender a vida útil dos telemóveis de serviço e, consequentemente, reduzir o lixo eletrónico.
A Fairphone é reconhecida pela utilização de materiais obtidos de forma justa, cadeias de produção transparentes e um design inteligente onde componentes como o ecrã, a bateria e a câmara são facilmente substituíveis.
“A Universidade Radboud passa agora a adquirir e dar suporte a apenas um tipo de dispositivo”, lê-se no anúncio. “É necessário menos investimento para adquirir conhecimento sobre diferentes modelos e marcas. Isso facilita a resolução de problemas e a substituição dos aparelhos quando tal for necessário”, conclui a Radboud.
A ambição da Fairphone
Esta decisão valida a visão da fabricante de hardware. No ano passado, a Androidworld conversou com a CTO Chandler Hatton sobre essa mesma ambição. Na altura, a responsável referiu que o público neerlandês é extremamente exigente e difícil de convencer. Contudo, parece que a universidade de Nijmegen se rendeu aos argumentos.
“Os Países Baixos são um mercado difícil de convencer; está no nosso ADN ser crítico. […] A nossa missão é trazer sustentabilidade e ética em grande escala. Numa indústria conhecida por ser implacável, queremos provar que é possível uma abordagem diferente. Não como exceção, mas como a nova norma.“
Vale a pena notar que, segundo o Tweakers, os colaboradores não são obrigados a aceitar o telemóvel. Podem optar apenas por um cartão SIM (Sim Only) e utilizar um aparelho próprio, caso prefiram.
Fairphone (6.ª geração)
O modelo distribuído aos funcionários será, quase certamente, a mais recente sexta geração da Fairphone. Nós próprios testámos o equipamento e, na altura, fomos bastante críticos devido a alguns problemas de software que encontrámos.
“A Fairphone faz algo único no mundo dos smartphones. Nenhuma outra empresa aposta tão forte na longevidade como esta marca neerlandesa. Isso traz vantagens óbvias, como peças substituíveis e acessórios práticos. Infelizmente, também significa que não recebes as especificações de topo. Se adoras fotografia ou exiges uma experiência de software imaculada, talvez seja melhor passares à frente. Mas a verdade é que a Fairphone constrói — como poucas — um aparelho para durar. Se aceitares algumas imperfeições iniciais e câmaras mais modestas, podes comprar o Fairphone 6 de consciência tranquila e usá-lo durante anos.“
Dito isto, é justo referir que, desde o nosso período de análise, foram lançadas várias atualizações importantes para o dispositivo. A grande maioria dos problemas que apontámos inicialmente foi resolvida.

