A subida global dos preços da memória está a ter cada vez mais impacto nos telemóveis Android. Se, até agora, as marcas optavam sobretudo por aumentar os preços, a nova estratégia parece passar por cortar na qualidade do hardware. Segundo um relatório recente, os telemóveis Android mais baratos serão os mais afetados. Nos próximos tempos, deverão chegar ao mercado com ecrãs, câmaras e processadores mais fracos, numa tentativa de compensar o custo elevado da memória RAM.
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A RAM está cada vez mais cara
A crise de memória, que no mundo tecnológico já ganhou a alcunha de “RAMageddon”, é causada pela enorme procura de chips para centros de dados de inteligência artificial. Os primeiros sinais já se faziam sentir no final do ano passado, mas é agora que as verdadeiras consequências chegam aos consumidores. Com a subida em flecha dos preços da memória RAM e do armazenamento, os fabricantes de telemóveis veem-se obrigados a pagar muito mais. Quem mais sofre com isto são os dispositivos de gama de entrada, onde as margens de lucro já eram bastante curtas.
Até agora, muitas marcas tentaram absorver estes custos aumentando gradualmente os preços de venda ao público. Em mercados como a Índia, vários modelos Samsung Galaxy sofreram aumentos consecutivos nos últimos meses. Por cá, também já notámos que equipamentos de topo ficaram mais caros, e os rumores indicam que os novos dobráveis vão seguir o mesmo caminho. O problema é que, nesta fase, mexer apenas no preço já não é suficiente para equilibrar as contas.
Fabricantes cortam nos componentes
De acordo com um relatório da Omdia, cada vez mais fabricantes Android vão recorrer a peças mais baratas para contrabalançar o custo da memória. Na prática, isto pode assumir várias formas. Podes vir a encontrar ecrãs de qualidade inferior, módulos de câmara mais simples ou processadores de gerações mais antigas. Em alguns casos, os telemóveis podem mesmo chegar às lojas com menos memória RAM ou armazenamento do que a marca tinha planeado inicialmente.
Para ti, enquanto consumidor, isto significa que comprar um modelo mais recente já não garante uma melhoria automática face à geração anterior. Especialmente no segmento mais barato, os novos lançamentos podem até ter um desempenho inferior ao dos modelos antigos em certos aspetos. Por isso, agora mais do que nunca, é fundamental comparares bem as especificações antes de investires num telemóvel novo.
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Menos escolha abaixo dos 400 euros
As dores de cabeça não se ficam pelas especificações. Segundo a análise, vai ser cada vez mais difícil encontrar bons telemóveis Android abaixo da barreira dos 400 euros. Algumas marcas estarão mesmo a ponderar cancelar o lançamento de certos modelos económicos, simplesmente porque a margem de lucro desapareceu. A própria Fairphone já nos tinha confessado que o preço destes componentes se tornou um verdadeiro obstáculo.
O resultado prático é que vais ter cada vez menos opções de escolha no segmento acessível. E os poucos telemóveis que conseguirem ver a luz do dia vão, inevitavelmente, exigir mais compromissos e sacrifícios no hardware.
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Modelos do ano passado ganham destaque
Com este cenário, optar por um telemóvel do ano passado pode ser uma jogada muito mais inteligente do que comprar um modelo de gama de entrada acabadinho de lançar. Os dispositivos de gerações anteriores oferecem, muitas vezes, processadores mais potentes, câmaras superiores e ecrãs de melhor qualidade, com a vantagem de o preço já ter caído consideravelmente. Além disso, a maioria dos telemóveis de gama média atuais garante atualizações de sistema e de segurança durante vários anos, o que prolonga a sua vida útil.
A verdade é que não se espera que esta pressão sobre o mercado abrande tão cedo. Os analistas preveem que o custo elevado dos chips de memória continue a ditar as regras e a influenciar o preço e a qualidade de telemóveis, tablets e outros gadgets nos próximos tempos.

