Recentemente, tornou-se possível utilizar a renovada aplicação da TomTom de forma totalmente gratuita para navegar. Sejamos honestos: nos últimos anos, parecia que a empresa tinha deixado o condutor comum um pouco esquecido, mas isso mudou radicalmente. Com a introdução do “Tom by TomTom”, a app foi alvo de uma remodelação total e, na prática, passou a ser gratuita. Com este movimento, a empresa parece querer entrar em confronto direto com gigantes como o Google Maps. Depois de percorrer bastantes quilómetros com esta app, a verdade é que estou surpreendentemente satisfeito.
Uma boa primeira impressão
Comecemos pelo lado positivo. A TomTom domina a arte da navegação, ponto final. Não te sugere rotas bizarras, oferece-te, em média, três opções diferentes para chegares ao teu destino e fornece avisos realmente úteis enquanto conduzes. Estou a falar de alertas sobre engarrafamentos mais à frente, radares fixos, controlos de velocidade média ou até veículos parados na berma. Outro detalhe muito prático é a indicação da velocidade atual, embora tenha notado que, durante as minhas viagens, nem sempre estava 100% correta.
Ao volante, dou por mim a pegar mais vezes na app da TomTom do que na alternativa da Google. Sinto que a navegação é ligeiramente mais clara, especialmente em autoestradas onde tens de te manter em faixas específicas. Tenho a sensação de que a Google, por vezes, tem tendência a complicar mais do que o necessário. Por outro lado, há algo que precisa urgentemente de uma atualização: a voz. Os avanços que a concorrência tem feito neste campo apenas realçam o quão desumana e robótica soa a voz da app da TomTom.
Nem tudo é perfeito
São estes pequenos detalhes que começam a saltar à vista à medida que utilizas a navegação com mais frequência. Tive de fazer uma viagem longa até à Frísia e, quando tens de seguir por autoestrada durante mais de 60 quilómetros, seria agradável que a app afastasse um pouco o zoom automaticamente. Não precisa de ser muito, mas da forma como está, fico com a sensação de que estou constantemente “com o nariz colado” ao meu ícone no mapa. Claro que não percebo nada de programação, mas parece-me algo que seria fácil de resolver.




O mesmo se aplica à escolha de uma rota alternativa. Enquanto uma app como o Maps afasta o zoom para te mostrar a diferença de distância ou tempo, na TomTom tens de clicar na rota. Depois, a alternativa é apresentada e, por fim, ainda tens de confirmar. Na prática, são demasiados passos para executar em segurança enquanto conduzes. Um clique, no máximo, deveria ser suficiente. Dito isto, existe a possibilidade de ajustar as definições para que a app escolha sempre, automaticamente, a rota mais rápida.
Não é uma comparação justa
Quanto mais uso a app da TomTom no carro, mais percebo que compará-la diretamente com o Google Maps não é propriamente justo. A aplicação da Google é muito mais abrangente e, para o meu tipo de uso, acaba por ser superior em versatilidade. Digo isto porque navego frequentemente para locais novos acessíveis apenas a pé, ou preciso de encontrar rapidamente um sítio para jantar. Esse tipo de funcionalidades de “estilo de vida” simplesmente não existe na app da TomTom.

No fundo, também não deveria esperar isso de uma app cujo foco é, pura e simplesmente, a navegação. A TomTom assume que a sua prioridade é o condutor e fá-lo excecionalmente bem. Arrisco-me a dizer que prefiro algumas funcionalidades da TomTom às do Maps. A forma como apresenta o trânsito, por exemplo: enquanto o Maps muda a cor do trajeto e vês a hora de chegada a aumentar, a TomTom opta por indicar a extensão temporal do engarrafamento. Assim, sabes exatamente quantos minutos extra vais demorar.
Outra diferença reside na possibilidade de conectar o “Tom” (o hardware) à aplicação. Como já referi numa análise anterior, é um gadget algo supérfluo que serve essencialmente para dar destaque às notificações da app. Mantenho o que disse na altura: “O Tom é, como gadget, uma adição engraçada durante a condução, mas não mudou drasticamente a minha experiência ao volante. Com um preço a rondar os 80 euros, é difícil recomendá-lo a toda a gente.“
O último ponto positivo que tenho de sublinhar é o custo. Ou melhor, a ausência dele. A app renovada é totalmente gratuita e, até agora, não encontrei quaisquer custos ocultos. A única coisa que podes fazer é comprar o gadget Tom, mas isso não é, de todo, um requisito para utilizares a aplicação.
Quase uma alternativa perfeita
Se o teu objetivo é apenas navegar de carro para um local, a app da TomTom é uma excelente alternativa ao Google Maps. Se queres algo mais do que pura navegação, ou se te irritas facilmente com um mapa que faz demasiado zoom, talvez seja melhor optares por outra solução. Além disso, as velocidades indicadas nem sempre estão corretas e há pequenas arestas por limar. Se a TomTom resolver estes pontos em breve, não hesitarei em fazer a troca definitiva no meu carro.
TomTom - Mapas & Trânsito
TomTom International BV