Android abre-se a todos: o que é que isto significa para ti?

Wesley Akkerman
Wesley Akkerman
21 Maio 2026, 10:17
4 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Após a batalha com a Epic Games, a Google vê-se obrigada a abrir o ecossistema Android a terceiros. Na prática, isto significa que vais começar a deparar-te com lojas de aplicações alternativas e novos métodos de pagamento. Neste artigo, explicamos-te o impacto que esta mudança vai ter no teu dia a dia.

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Google vs. Epic Games

Em agosto de 2020, a Epic Games foi notícia em todo o mundo quando contornou o sistema de pagamentos da Google dentro do Fortnite, desafiando assim a empresa a remover o popular jogo da Play Store. Esta jogada ousada foi o ponto de partida para uma enorme e prolongada batalha judicial entre as duas gigantes tecnológicas. No centro de todo o conflito estava o poder que a Google exercia sobre os programadores de aplicações e as elevadas comissões obrigatórias que lhes impunha.

O que se seguiu foi um processo judicial que culminou numa decisão histórica em dezembro de 2023. Na altura, o júri concluiu que a Google mantinha, de forma ilegal, um monopólio. A empresa ainda recorreu para tentar preservar o estado das coisas, mas acabou por ceder e aceitou um acordo global com a Epic Games. É graças a este desfecho que as portas da famosa loja de aplicações começam agora a abrir-se lentamente.

Mais dinheiro no bolso

O que talvez não saibas é que, durante os últimos vinte anos, a Google lucrou imenso com as compras digitais, cobrando uma comissão de trinta por cento. Segundo a empresa, este era o preço a pagar pela visibilidade na plataforma. Agora, essa comissão desce para os vinte por cento e, no caso de subscrições e programas, cai mesmo para os dez por cento. Isto vai ter consequências enormes nas receitas, tanto da Google como dos programadores. Afinal, este último grupo passa a reter uma fatia muito maior dos lucros.

Ao mesmo tempo, a Google está a flexibilizar o controlo rígido que tinha sobre todos os pagamentos. Os criadores de aplicações passam a ter a possibilidade de ignorar o sistema de faturação da Google. Caso optem por fazê-lo, aplica-se apenas uma pequena taxa de cinco por cento nos Estados Unidos, no Reino Unido e na Europa. Se integrarem um sistema próprio, podem simplesmente ficar com essa parte das receitas. Para ti, no fundo, isto significa que alguns serviços ou compras podem ficar mais baratos, uma vez que os programadores já não precisam de refletir a pesada “taxa Google” no preço final.

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Lojas de aplicações alternativas

Se alguma vez tentaste descarregar aplicações fora da Google Play Store, acabaste por fazer o chamado sideload. A verdade é que este é um processo que se tornou demasiado complexo para quem não é muito dado a tecnologias. Tens de alterar definições, fechar avisos de segurança e fazer as atualizações sempre de forma manual. Durante o processo judicial, a Epic Games sublinhou que a Google desenhou isto de forma propositadamente confusa. E o júri deu-lhe razão.

Por isso mesmo, vem aí um novo programa para facilitar todo este processo. Mais para o final do ano, a Google vai lançar uma espécie de programa de registo para lojas de aplicações. Assim que os fornecedores cumprirem os requisitos rigorosos da fabricante do Pixel (que, naturalmente, precisa de manter algum nível de controlo), empresas como a Microsoft ou a Amazon poderão introduzir as suas próprias lojas sem qualquer esforço. A partir daí, poderás descarregar e atualizar aplicações em total segurança.

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Subscrições mais baratas

Outra mudança importante diz respeito às subscrições. Já o referimos acima, mas, na prática, todas as compras digitais ou dentro das aplicações deverão ficar mais baratas. Pelo menos, essa é a expectativa. Isto acontece porque os programadores passam ao lado do intermediário (a Google) e podem reencaminhar as pessoas para outros sistemas de pagamento. Como resultado, é muito provável que comeces a notar que uma subscrição ou serviço é mais barato noutro local do que diretamente na aplicação Android.

Claro que ainda temos de esperar para ver até que ponto isto se vai aplicar a todas as aplicações. Taxas mais baixas oferecem aos programadores independentes a oportunidade perfeita para reduzirem os seus preços e atraírem novos utilizadores mais rapidamente. Contudo, as grandes empresas tecnológicas já aumentam os preços há anos, independentemente das ações da Google. É possível que gigantes como a Netflix ou o Spotify acabem por baixar o valor da tua subscrição mensal por causa disto, mas, como se costuma dizer, é ver para crer.

Mais liberdade, mais responsabilidade

Mais liberdade digital traz, de forma lógica, mais responsabilidade pessoal. As compras feitas através da Google Play passam por uma infraestrutura de segurança bastante robusta. No entanto, em lojas externas ou pagamentos diretos, acabas por confiar os teus dados de pagamento a entidades externas ou até desconhecidas. Por isso mesmo, é sensato utilizares serviços de pagamento seguros, como o PayPal, para protegeres a tua conta bancária de possíveis riscos. Afinal, podes apostar que vão surgir burlões a tentar tirar partido desta nova realidade.