O mercado global de smartphones sofreu um forte abalo. Segundo dados preliminares da empresa de análise de mercado Counterpoint Research, o número de smartphones expedidos no segundo trimestre de 2026 caiu 11% em relação ao mesmo período do ano passado. Com isto, o mercado atinge o nível mais baixo num segundo trimestre desde 2013. A principal causa é a escassez persistente de chips de memória, que está a encarecer os telemóveis e a levar os consumidores a adiar cada vez mais as suas compras.
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Chips de memória fazem subir os preços
A raiz do problema está na enorme procura global por memória DRAM e NAND. Atualmente, os fabricantes estão a direcionar uma grande parte da sua capacidade de produção para chips de memória destinados a centros de dados de inteligência artificial. Isto deixa menos capacidade disponível para a eletrónica de consumo, como smartphones, tablets e portáteis. O resultado prático? Os preços da memória RAM e do armazenamento subiram consideravelmente nos últimos meses.
Por causa disto, as marcas de smartphones têm cada vez menos margem de manobra para manter os dispositivos acessíveis a preços atrativos. Os modelos de gama baixa e média acabam por ser os mais afetados, precisamente porque as margens de lucro nestes segmentos já são bastante curtas. Para tentar absorver estes custos mais elevados, várias fabricantes aumentaram os preços dos seus equipamentos nos últimos meses, ou optaram por poupar noutros componentes essenciais, como ecrãs, câmaras e processadores.
Apple é a grande exceção
Apesar das condições difíceis do mercado, a Apple conseguiu crescer, destacando-se como uma das poucas empresas a conseguir esse feito. Segundo a Counterpoint, o número de iPhones expedidos aumentou 3%, o que garante à marca uma quota de mercado global de 20%. Com este resultado, a gigante tecnológica bateu um verdadeiro recorde para um segundo trimestre. Este crescimento é atribuído à procura contínua pelos modelos de iPhone mais caros e a uma estratégia de preços relativamente estável. Ainda assim, os analistas preveem que a Apple também acabe por ter de aumentar os preços a longo prazo, caso a escassez de memória se mantenha.
Para os restantes fabricantes, a situação é bem menos favorável. Estas marcas dependem muito mais do segmento de entrada, onde é bastante mais difícil passar os aumentos de preços para o consumidor final. Isto coloca uma enorme pressão sobre a rentabilidade e já está a levar algumas empresas a ajustar os seus catálogos ou até a adiar o lançamento de determinados modelos.
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Recuperação ainda deve demorar
Uma solução rápida não parece estar à vista. Segundo os analistas, a escassez de chips de memória vai continuar a afetar o mercado de smartphones durante o resto de 2026 e, muito possivelmente, numa boa parte de 2027. Enquanto a procura por parte do setor da inteligência artificial se mantiver em alta, os preços da memória deverão continuar inflacionados. No fundo, isto significa que tu, enquanto consumidor, vais ter de contar com preços mais elevados e, possivelmente, com menos opções de escolha, sobretudo nos smartphones mais baratos.
Este cenário acaba por tornar os dispositivos da geração anterior muito mais apelativos. Um smartphone lançado no ano passado pode perfeitamente ser mais barato e não ficar nada atrás do modelo deste ano, podendo até ser superior em alguns aspetos. Por isso, a nossa maior dica é que pesquises bem e leias análises detalhadas de vários equipamentos antes de tomares uma decisão de compra.
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