Análise do Xiaomi 15T: Será que é a escolha certa?

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
31 Outubro 2025, 13:59
6 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
6.8

Avaliações

Estamos todos ansiosos pela chegada do próximo topo de gama da Xiaomi, o 17. No entanto, enquanto esse dia não chega, ficámos impressionados com o 15T Pro, o “irmão mais velho” do equipamento que analiso nesta review. Nos últimos tempos, andei a testar o Xiaomi 15T: um smartphone com um visual cuidado que deixou uma impressão bastante positiva. Contudo, tenho também algumas críticas a fazer.

Xiaomi 15T

Com um preço recomendado de 650 euros, o Xiaomi 15T coloca-se numa posição curiosa no mercado. Entra diretamente na luta contra modelos como o Pixel 10 e é ligeiramente mais caro do que bons gama-média, como o Pixel 9a ou o Galaxy S25. A grande questão é: será que este equipamento consegue manter-se firme no meio de tanta concorrência de peso? Como referi, na minha opinião consegue-o parcialmente, e vou explicar-te exatamente porquê.

Xiaomi 15T foto traseira

O que vem na caixa?

  • Xiaomi 15T
  • Capa de proteção
  • Cabo de carregamento
  • Ejetor de cartão SIM
  • Manuais

Pontos positivos do Xiaomi 15T

Bateria que dura (e dura)

Tornou-se, honestamente, uma das minhas maiores irritações: telemóveis que não aguentam um dia inteiro de trabalho e que pedem carregador a meio da tarde. Especialmente em equipamentos novos, isso simplesmente não devia acontecer. Felizmente, com o 15T da Xiaomi, não tens esse problema.

Mesmo com o meu uso intensivo, o telemóvel aguenta tranquilamente um dia inteiro e, muitas vezes, ainda chego a meio do dia seguinte com carga. Para mim, isto é excelente. Além disso, a bateria de 5.500 mAh carrega totalmente em menos de uma hora, desde que uses o carregador certo. É velocidade suficiente para dar um “cheirinho” de carga durante o trabalho e garantir mais um dia e meio de autonomia. Fico sempre com a sensação de que, na China, descobriram uma fórmula mágica para dar este boost extra às baterias.

Um equipamento bonito

Poucas coisas são tão subjetivas como o design de um telemóvel. Há quem ache o castanho-moca horrível, e há quem, como eu, o ache muito elegante. Este é um dos poucos smartphones em que, por vontade própria, não colocaria uma capa. Claro que é melhor para a proteção, mas é uma pena esconder um design tão bem conseguido.

Um smartphone com a aplicação da câmara aberta, refletindo uma pessoa e árvores, pousado em musgo verde e folhas de outono.

Tenho de admitir: visto de frente, o telemóvel parece-se imenso com os daquela-marca-que-não-deve-ser-nomeada (a Apple). Isso acontece porque a Xiaomi optou por um ecrã AMOLED de 6,83 polegadas que é, simplesmente, fantástico. É suficientemente brilhante em ambientes com muita luz, mas sabe adaptar-se para não te cegar quando estás no escuro. As cores saltam à vista e dão vida ao equipamento. Resta esperar que este modelo não fique apenas conhecido como “aquele Android que parece um iPhone”. A possibilidade de personalizar temas através de uma app dedicada reforça ainda mais esta sensação de qualidade.

Navegação fluida e jogos

Hoje em dia, quase todos os Android vêm equipados com uma taxa de atualização de, pelo menos, 120Hz, e o Xiaomi 15T não é exceção. A navegação é extremamente suave e fluida, não só nos menus, mas também ao alternar entre diferentes aplicações ativas. Não notei soluços nem engasgos em momento algum. Num jogo de Call of Duty Mobile, vais derrubar adversários uns atrás dos outros sem qualquer arrastamento.

Para os momentos de lazer, a Xiaomi incluiu o simpático Game Turbo. Esta funcionalidade oferece atalhos para o WhatsApp, Facebook e outras apps à tua escolha, permitindo-te responder rapidamente a uma mensagem ou espreitar as redes sociais enquanto o jogo carrega. Além disso, o telemóvel não aquece demasiado durante a jogatina. Uma partida rápida de Call of Duty é um prazer, e a única frustração que tive deveu-se apenas à minha falta de jeito.

Pontos negativos do Xiaomi 15T

Fotografias nem sempre impressionam

Enquanto o 15T Pro é considerado fantástico para fotografia, a minha experiência com este modelo foi um pouco diferente. Não tanto nas fotos diurnas, mas principalmente à noite e em condições de pouca luz. Pega, por exemplo, numa foto do meu gato. Parece que lhe aplicaram uma camada de base ou maquilhagem, algo que nunca faríamos aos nossos animais de estimação. A imagem fica com um aspeto demasiado “alisado”. Dá a sensação de que o pós-processamento do telemóvel tenta criar a imagem perfeita à força, mas um gato não é o sujeito ideal para esse tipo de tratamento.

Mesmo durante o dia, a câmara tem alguma dificuldade em tirar fotografias realmente bonitas para o meu gosto. Testei, claro, algumas situações em contraluz, e aí o 15T deixa bastante a desejar. Para um uso normal, continua a ser perfeitamente aceitável, mas se o teu objetivo é tirar fotos fantásticas, este não é o telemóvel para ti.

Demasiado bloatware

O que se passa com os fabricantes chineses e a quantidade absurda de “lixo” que incluem nos telemóveis? É inacreditável a quantidade de aplicações desnecessárias que vêm pré-instaladas neste dispositivo. Mi Browser, Xiaomi Home, várias “apps de sistema” extra, TikTok, Amazon Shopping, LinkedIn, WPS Office, AliExpress e por aí fora. A única vantagem é que já vêm organizadas em pastas, por isso sabes exatamente onde não precisas de ir enquanto usas o telemóvel.

IA só porque sim

Outro ponto sensível é a Inteligência Artificial supérflua. O HyperOS 2 traz o “Boost para apps de IA”, o que, na minha opinião, é um termo vazio. A escrita com IA é apenas um substituto para a escrita normal, ainda não vi utilidade nos fundos dinâmicos com IA, e o Editor de Galeria com IA é talvez o culpado pelas estranhas fotos de gatos com pouca luz. A única função que me vejo realmente a usar é a Conversa com Tradução IA. Esta opção permite traduzir conversas em tempo real com alguém que não fale a tua língua. É uma opção de nicho, mas a única onde vejo utilidade real.

O HyperOS 2 precisa de evoluir

A Xiaomi anunciou que o HyperOS 3 deve sair em breve, mas durante os meus testes ainda não estava disponível. Nota-se que esta interface sobre o Android 15 é um pequeno passo atrás em comparação com o Android 16. O HyperOS 3 pode corrigir isto rapidamente, mas aí surge outro problema. A Xiaomi promete apenas quatro atualizações de sistema operativo. Se a passagem para o HyperOS 3 for a primeira, sobram apenas três. Isto significa que, a longo prazo, a vida útil deste aparelho pode ser curta. As atualizações esgotam-se demasiado depressa.

Xiaomi 15T no exterior

Conclusão

Contas feitas, o Xiaomi 15T é um equipamento mais do que competente. A bateria dura o tempo suficiente, o desempenho em jogos é impecável e as fotos, nas condições certas, também são boas. Por isso, é uma pena que a câmara desiluda frequentemente, para não falar na quantidade gigantesca de bloatware e nas funções de IA desnecessárias. Se conseguires ignorar esses pontos, ficas muito bem servido com este smartphone para os próximos anos.

Comprar Xiaomi 15T

Alternativas ao Xiaomi 15T

Com um preço de 650 euros, o 15T move-se num segmento muito concorrido. O Samsung Galaxy S25 FE, o OnePlus 13 e o Google Pixel 9 são excelentes alternativas a ter em conta.