Google Health Coach à lupa: encontrámos o teu novo coach de fitness?

Laura Jenny
Laura Jenny
1 Julho 2026, 15:44
7 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.

Já passaram cinco semanas desde que a nova app Google Health entrou em cena, assumindo-se como a substituta da Fitbit. E esta aplicação traz uma grande novidade: o Coach. A Laura e o Sven passaram o último mês a testar este assistente de IA e as conclusões não deixam margem para dúvidas. “No meu caso, o ‘coach’ diz-me sempre aquilo que eu quero ouvir.”

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Google Health Coach

Laura: Já ando há algumas semanas com o Fitbit Air no pulso e tenho de confessar que o novo Google Health me está a agradar bastante. O facto de o coach me dar bons conselhos sobre a minha atividade física com base no local onde estou (e isso muda com frequência) é excelente. É uma maravilha, não achas?

Sven: Comigo isso também muda bastante, a questão é que eu posso simplesmente olhar pela janela para perceber se está a chover naquele momento. O que eu noto é que a app tem um conceito muito lato do que é um ‘treino’. Por exemplo, contou o meio quilómetro que ando a pé da estação até ao escritório como sendo um treino. Como costumo fazer desporto durante a semana, chego a terça-feira e, segundo o coach, já atingi os meus objetivos. Em vez de sugerir que talvez os objetivos devessem ser ajustados, recebo apenas elogios, quando na verdade ainda não fiz quase nada.

Laura: Pois, mas tu treinas para a Marcha dos Quatro Dias, por isso é lógico que para ti esse passeio de 10 minutos não seja um treino a sério. Mas para outras pessoas isso já conta, e muito.

Sven: Fico curioso em saber como é que ele te dá esses bons conselhos, por acaso. É que, no meu caso, o ‘coach’ passa a vida a dizer-me aquilo que eu quero ouvir. Parece que quer dar sempre a resposta perfeita e esforça-se de forma exagerada para o conseguir.

Laura: Eu não sinto que ele me diga só o que quero ouvir. Uma vez confundiu o meu passo acelerado com corrida e, por mais que eu repetisse, não consegui convencê-lo de que estava mesmo apenas a caminhar e não a correr. Ou referes-te a outra coisa quando dizes que ele te diz o que queres ouvir?

Duas pessoas a praticar exercício físico com smartwatches. Uma usa um kettlebell e a outra alonga, com notificações de treino em neerlandês.

Sven: “É mais no sentido de que, se eu disser que uma determinada distância para um treino é curta ou longa demais, a IA concorda imediatamente. Recebes logo uma resposta do género: ‘Oh, tens toda a razão. Queres que ajuste isto?’ Apesar da quantidade absurda de dados que damos ao AI Coach, sinto que ele nunca me fez uma sugestão que fosse verdadeiramente útil. Nesse aspeto, há um grande ponto positivo: continua a ser muito melhor ir ao meu ginásio local pedir um plano de treino do que confiar neste coach de IA. Vida real 1, IA 0.”

Laura: “Oh, eu por acaso acho as sugestões dele bastante úteis, como por exemplo: vão estar 38 graus hoje, se calhar é melhor ires caminhar de manhã cedo. E, convenhamos, se tu próprio dizes que algo não está bem, não é lógico que a IA concorde contigo? O que é que querias, que ele tornasse a tua lesão ainda mais dolorosa ou que te chamasse mariquinhas? É um coach, não é um sargento instrutor. E ainda bem, porque eu perderia a paciência muito rapidamente se ele fosse assim tão rigoroso comigo.”

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Sven: “Se calhar eu é que acho que uma sugestão dessas é simplesmente demasiado óbvia. Claro que não estava a planear ir correr durante 4 horas debaixo de sol intenso com 38 graus… Mas repara, eu indiquei-lhe que tinha sofrido uma lesão, partilhei isso com foto e tudo. E houve logo várias coisas que me chamaram a atenção. Só quando eu próprio falei num médico é que a IA pensou: ‘Ah, pois, eu não sou médico, se calhar devias ir a uma consulta’. Também criei uma espécie de plano de recuperação juntamente com o coach, onde indiquei a data em que precisava de estar novamente a cem por cento. Só que parece que a IA não tem a mínima noção do pouco tempo que falta. Se eu seguisse o plano dele, talvez estivesse em forma para a Marcha dos Quatro Dias de 2027. Mas o facto de ele não sugerir, por iniciativa própria, uma ida ao fisioterapeuta ou ao médico é algo que acho muito mau.”

‘Ele não tem de me dizer como devo fazer as coisas’

Laura: “Sim, isso é sem dúvida uma falha grave, ele devia ter feito isso muito mais cedo. Se calhar a palavra ‘coach’ cria uma expectativa demasiado alta e teria sido melhor chamarem-lhe ‘companheiro de treino’. Ainda assim, sinto-me mais apoiada. De manhã fico genuinamente curiosa com o que ele me vai aconselhar e concordo bastante com o que diz sobre a forma como dormi e o facto de registar que já atingi os meus pontos de cardio. Pelo menos dá-me a sensação de que estou no bom caminho e a fasquia vai sendo colocada cada vez mais alta. Acaba por haver uma espécie de progressão, porque noto que quero fazer mais para depois ver bons resultados na app. Tu não sentes isso de todo?”

Captura de ecrã de uma aplicação de fitness em modo escuro com texto em neerlandês sobre o resumo de uma caminhada e métricas de saúde.

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Sven: “No início até achava alguma piada receber aquelas atualizações todos os dias, mas acabei por desligar literalmente as notificações do Health. Começou a tornar-se muito irritante. No entanto, acredito que possa ser uma boa ajuda para quem está a começar do zero. Agora, se já jogas futebol algumas vezes por semana, vais ao ginásio ou treinas para a Marcha dos Quatro Dias, levas todos os dias com uma enchente de conselhos completamente óbvios. Para mim, acho que o principal problema é a sensação de ter alguém que não percebe nada do assunto a dizer-me como é que eu devo fazer as coisas. É algo com que eu lido muito mal, por natureza. Até cheguei a ter uma autêntica discussão com o coach, o que foi claramente o ponto mais baixo da minha semana.”

Laura: “Pois, é verdade, mas será que não o configuraste mal? Tu podes definir um número diário de passos completamente absurdo, não podes? Mas concordo contigo quando dizes que o coach carrega aquele estigma da IA: no fundo, nós não confiamos totalmente naquilo. Se calhar ele até diz disparates, e às vezes diz mesmo. Por exemplo, quando a bateria da minha pulseira está nos 70 por cento, ele avisa-me que talvez seja melhor ir carregá-la. Mas agora fiquei curiosa: como é que foi essa discussão? [afasta-se] [bate com a porta].”

Uma mulher jovem com um monitor de atividade no pulso, olhando pensativamente, com balões de chat em neerlandês sobre sono e saúde.

Sven: “Acho que no meu caso está ‘apenas’ configurado para 10.000 passos por dia. Quando estou em forma para a Marcha dos Quatro Dias, atinjo isso facilmente numa média semanal, só que agora estou em fase de recuperação. Portanto, os números são mais baixos. E aí tocaste no cerne do meu problema. Eu não confio naquilo nem um bocadinho e acho sempre que sei mais do que a máquina. Foi uma questão de expectativas erradas. Essa discussão teve sobretudo a ver com os objetivos, se bem me lembro. O pior é que já não consigo encontrar o que escrevi na app, só me aparecem as mensagens que o coach enviou.”

Laura: “Ok, ok, é justo. Se calhar tens razão e isto é sobretudo um coach para quem faz pouco exercício e quer fazer mais. Acaba por ser uma enorme fonte de irritação para pessoas que, se me permites a expressão, não precisam realmente de um coach. É para desligar, então?”

Sven: “No meu telemóvel, as notificações de certeza que não voltam a ser ligadas.”

Laura: “Não te preocupes, eu falo com ele.”