Já tiveste a sensação de que as aplicações do teu smartphone te andam a espiar? Com isto, queremos dizer que recolhem os teus dados sem controlo e os enviam para servidores ou entidades maliciosas, que lucram à tua custa. Vamos mostrar-te como podes descobrir se é esse o teu caso.
Aplicações que te monitorizam
Na internet, e talvez até no teu círculo de amigos, ouvem-se muitas histórias assustadoras sobre aplicações capazes de seguir cada passo que dás. Embora a monitorização seja comum, existe uma diferença crucial entre uma app ver o que fazes e espiar verdadeiramente tudo o que se passa no teu telemóvel.
A distinção está no que acontece com os dados depois de serem recolhidos. Algumas empresas utilizam-nos para melhorar os seus próprios serviços, o que é legítimo. Outras, no entanto, vendem esses dados a terceiros para obterem lucro. Quando uma aplicação faz isto, é considerada maliciosa.
Quatro sinais de alerta
Quando uma aplicação te está a monitorizar de forma abusiva, existem geralmente quatro sinais claros. Um dos indícios mais comuns é a bateria do teu smartphone esgotar-se muito mais depressa do que o habitual. E isto acontece mesmo que não estejas a usar mais aplicações, ou diferentes, nem tenhas descarregado muitas novidades.
Podes não passar horas a jogar, evitas o doomscrolling e até já nem vês tantos vídeos no YouTube, mas, mesmo assim, a bateria mal chega a meio do dia. O que se passa, então?



Bem, é muito provável que uma aplicação maliciosa esteja a trabalhar intensamente em segundo plano. Estas apps de monitorização consomem imensos recursos do sistema: têm de seguir os teus passos (usando o GPS sem autorização, por exemplo), sincronizar constantemente com servidores e estar sempre ativas.
No pior dos casos, o microfone do teu dispositivo pode estar sempre ligado — o derradeiro pesadelo. Por isso, fica atento a comportamentos estranhos da bateria, limita os processos em segundo plano sempre que possível e, acima de tudo, não descarregues nada em que não confies.
Ícones e permissões
Como os criadores de apps maliciosas são cada vez mais astutos, sabem que precisam de manter as suas criações leves para não levantarem suspeitas. Nesses casos, nem sempre notas que algo se passa em segundo plano.
Felizmente, por vezes, há sinais visíveis de que uma app tem um comportamento inesperado. Estás a fazer scroll, a jogar ou a ver um vídeo e, de repente, vês o ícone de localização na barra de estado, mesmo tendo a certeza de que nenhuma app precisa dele naquele momento? Então, está na hora de investigar.
Poderia ser uma app de meteorologia, mas, em princípio, as aplicações em segundo plano raramente têm um motivo legítimo para aceder à tua localização. Isto leva-nos a outro ponto fundamental: a revisão das permissões.
As apps precisam de permissões para funcionar, e tu tens de as conceder explicitamente. No entanto, os criadores de software malicioso usam truques para contornar esta etapa. Procura “gestor de permissões” nas definições e revê tudo com regularidade. É a melhor forma de evitar que as tuas informações sejam roubadas sem que dês por isso.
O teu consumo de dados dispara
Por fim, um consumo de dados anormalmente alto pode denunciar uma app espiã. É normal que certas aplicações, como jogos online ou serviços de streaming, consumam muitos dados. Esse uso está dentro do esperado.
Contudo, se notares que o teu plano de dados se esgota demasiado depressa — e a tua operadora até te avisa disso —, deves verificar se não há algo mais a acontecer. As apps de monitorização consomem quantidades enormes de dados, muitas vezes porque estão a carregar anúncios invisíveis ou até a minerar criptomoedas em segundo plano.
Se o teu consumo de dados disparou, é altura de investigar, aplicação por aplicação, para encontrar a culpada. Nas definições do cartão SIM, podes consultar o uso de dados de cada app. Se encontrares uma que não reconheces, vê se a consegues desinstalar.
Se for uma app conhecida, como um browser, pode não ser nada de grave — talvez tenhas deixado um separador aberto que está a consumir dados como um louco. Claro que existem outros sinais de alerta, mas estes são os quatro mais evidentes para detetares rapidamente uma aplicação maliciosa.