Hoje em dia, podes escolher entre três modelos diferentes do Samsung Galaxy S por ano, mas houve um tempo em que o modelo S brilhava sozinho. No início, ter mais opções de escolha foi visto como algo positivo, mas a verdade é que essa perceção mudou.
Continuar a ler após o anúncio.
Samsung Galaxy S
A expansão da linha com novas variantes, especialmente com o modelo Ultra, acabou por destronar a série base. Com isto, o modelo standard parece ter perdido grande parte da sua identidade e razão de existir, e não há sinais de que a Samsung vá mudar este cenário a curto prazo. Tudo isto levanta uma questão pertinente: porque é que o Galaxy S normal ainda existe? Afinal, o brilho de outrora desvaneceu-se, ofuscado pela concorrência dentro da própria marca.
É uma afirmação de peso, sobretudo se pensarmos que o Galaxy S foi um dos dispositivos mais importantes na história dos smartphones modernos. Foi graças a este modelo que a Samsung passou de uma marca comum para o principal rosto do sistema operativo Android. Se pedires a um consumidor qualquer que te diga o nome de um telemóvel Android, é muito provável que a resposta seja Samsung. E a base de toda essa dominância mundial foi construída com um único dispositivo: o Galaxy S.
Um olhar para trás
Esse primeiro Galaxy S foi um verdadeiro marco tecnológico, equipado com inovações de peso, como o ecrã Super AMOLED e o melhor processador da altura. A Samsung apostou todas as fichas para crescer e conquistar os utilizadores, e o risco traduziu-se num sucesso de vendas estrondoso. Essa mesma estratégia continuou com os sucessores. Mesmo quando começaram a surgir variantes maiores, estas apresentavam-se como opções equivalentes, e não como atualizações drasticamente superiores à versão base. No fundo, o modelo normal era muito mais do que um simples telemóvel de entrada.
Mas todo este equilíbrio mudou com a chegada do Galaxy S20 Ultra, que a Samsung posicionou como a atualização definitiva. A partir desse momento, o modelo base foi atirado para segundo plano e a marca começou a dar-lhe muito menos atenção. Hoje em dia, esse declínio é bem visível nos números de vendas, onde o modelo Ultra domina confortavelmente ano após ano. A versão Plus e o modelo base acabam a lutar pelas sobras, e a variante mais compacta é quase sempre a que fica a perder, a menos que alguém procure especificamente um telemóvel mais pequeno.
Continuar a ler após o anúncio.
Deixou de ser relevante
É natural que os consumidores à procura de um smartphone premium da Samsung queiram o melhor dos melhores, o que os leva diretamente ao Ultra. Pelo meio, a variante Plus serve como uma alternativa ligeiramente mais acessível ao topo de gama. O problema é que o modelo base fica encurralado num canto estranho: acaba por se definir mais por aquilo que não tem do que pelas funcionalidades que oferece. Em termos de marketing, vamos ser honestos, isto não é um argumento de venda forte, com a possível exceção do formato compacto. Como resultado, o telemóvel perde a sua identidade própria e a sua relevância no mercado.
Isto pode atirar o dispositivo para um ciclo vicioso de onde será difícil sair. Se acreditarmos nos rumores mais recentes, a Samsung quer reduzir os custos de produção do futuro Galaxy S27. Devido ao aumento dos preços de outros componentes, a marca estará a ponderar entregar a produção dos ecrãs a fornecedores externos mais baratos. É bem provável que o modelo base mantenha o seu ecrã AMOLED, mas esta possível mudança mostra claramente o que a Samsung pensa sobre este telemóvel à porta fechada: é, pura e simplesmente, menos importante.
Continuar a ler após o anúncio.
Parar ou continuar?
Ainda assim, acabar de vez com a série base do Galaxy S não é uma opção. Afinal, mesmo os números de vendas mais baixos de uma linha de topo representam milhões de dispositivos vendidos. Por outro lado, a Samsung hesita em investir a sério em inovações para este modelo, uma vez que os riscos financeiros são demasiado altos. O resultado é um autêntico impasse estratégico. Com isto, o Galaxy S corre o risco de ficar num limbo: não será um mau smartphone, claro, mas também deixará de ser um modelo revolucionário.
Qualquer mudança de nome servirá apenas como um penso rápido cosmético e não trará a renovação profunda de que o dispositivo precisa. Por isso, é muito provável que, nos próximos anos, continuemos a olhar para um modelo base que vive na sombra dos seus irmãos mais velhos. Será sempre um telemóvel rápido e capaz, sem dúvida, mas acaba por sobreviver à boleia das memórias de outros tempos, de quando ainda era empolgante descobrir o que o novo Galaxy S iria trazer. Sem uma visão clara para o futuro, o Galaxy S arrisca-se a ser apenas um vestígio de um passado de grande sucesso.
