Há cerca de dez anos, tudo indicava que os wearables teriam um futuro empolgante pela frente. As feiras tecnológicas enchiam-se de produtos que, por vezes, ainda eram desajeitados ou difíceis de perceber, mas uma coisa parecia certa: o mercado dos gadgets ia mudar radicalmente.
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Minimalismo sem riscos
Entretanto, os wearables evoluíram bastante e, hoje em dia, milhões de pessoas usam diariamente um smartwatch ou um anel inteligente. A adoção é enorme, mas, ao mesmo tempo, instalou-se uma previsibilidade quase deprimente na oferta. Se antes esperavas por designs únicos e arrojados, agora deparas-te com uma filosofia visual completamente uniforme. O mercado parece ter estagnado a uma velocidade surpreendente, onde a funcionalidade acaba, mais uma vez, por vencer a inovação e os conceitos ousados. Como consequência, o futuro parece agora muito menos empolgante do que prometia ser.
Praticamente todos os wearables modernos seguem hoje o mesmo molde visual aborrecido. Os smartwatches imitam relógios analógicos, os anéis inteligentes parecem alianças lisas e os óculos inteligentes mantêm as suas habituais armações grossas em plástico, independentemente da inteligência artificial que escondem no interior. Esta autêntica linha de montagem levanta questões sobre a falta de personalidade na indústria. A inovação, que tanto marcou os primeiros anos, parece ter sido trocada por um minimalismo que evita qualquer risco, numa altura em que a personalização deveria ser o mais importante.
Olhar para o passado
Para piorar a situação, já tivemos de nos despedir de vários pioneiros do mercado, seja porque abriram falência ou porque simplesmente caíram no esquecimento. A Rinly foi, em tempos, um exemplo inspirador disso mesmo. A empresa mostrou que era possível fazer as coisas de forma diferente ao lançar anéis de cocktail únicos, adornados com pedras preciosas. Estes anéis emitiam vibrações subtis e códigos de cores para chamadas recebidas ou notificações de apps. Com isto, a marca provou que a tecnologia inteligente podia fundir-se na perfeição com a joalharia de moda, sem ser minimamente intrusiva.
Outro excelente exemplo foi a Cuff, uma fabricante que criava wearables a pensar na estética e no ambiente de um festival de música. Para além do visual apelativo, os acessórios incluíam várias funções de segurança, como o envio de sinais de emergência e da localização para familiares em caso de queda ou situações de perigo. Por outro lado, a Cynaps, que ainda existe hoje em dia, experimentou na altura um boné com condução óssea integrada para áudio. Embora o acabamento deixasse um pouco a desejar, o conceito apresentava uma alternativa muito séria aos auscultadores tradicionais.
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Deixaram de impressionar
Felizmente, também existem exemplos de wearables únicos que conseguiram vingar, como é o caso da fabricante CuteCircuit. Esta marca está debaixo dos holofotes há vinte anos com criações surpreendentes, como malas com ecrãs LED que mostram mensagens em tempo real e peças de roupa que tornam o toque e a música sensações físicas na pele. Mesmo que, por vezes, possas olhar para estes produtos como um mero “gimmick”, a verdade é que mostram muito mais coragem e criatividade do que a atual tendência de luxo contido que domina o mercado de consumo. E é precisamente isso que é uma pena.
A indústria da moda oferece, na verdade, um enorme espaço por explorar no que toca a integrar tecnologia inovadora de forma orgânica. Pensa, por exemplo, na popularidade recente dos porta-chaves de mala, onde as ideias se limitam a simples capas para rastreadores Bluetooth. Muitos consumidores anseiam por dispositivos que sejam funcionais, mas que sirvam também como uma extensão da sua própria identidade. A Wearable X é um ótimo exemplo disso mesmo, lançando peças de roupa que te guiam passo a passo durante uma sessão de ioga.
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O futuro dos wearables
No fundo, isto vai muito além de simplesmente esconder alguns sensores numa peça. As tendências atuais mostram que existe uma grande procura por wearables únicos. Falamos de fitas para a cabeça que reproduzem podcasts ou anéis que te permitem validar o bilhete nos transportes públicos com um simples aceno de mão e, de preferência, disponíveis no maior número de formatos e designs possível. Num autêntico mar de produtos iguais, onde inúmeras pulseiras minimalistas se perdem na multidão, qualquer inovação ganha logo destaque. Está na hora de os fabricantes ganharem coragem para combinar a sua funcionalidade com a criatividade e, acima de tudo, com a diversão.
Se olharmos para o futuro, percebemos que ainda há muito espaço para crescer. Não no aperfeiçoamento de dispositivos que passam despercebidos, mas sim na celebração da diversidade visual. Os wearables são produtos tecnológicos feitos para serem vistos, mas a grande maioria dos fabricantes ainda não parece ter percebido isso. Quando finalmente o fizerem, vamos conseguir quebrar esta monotonia de design e o mercado ganhará uma merecida segunda vida. E que isso aconteça de preferência ontem, antes que os wearables se tornem tão aborrecidos e previsíveis como as máquinas de lavar roupa ou os smartphones comuns.