Nothing Ear (3a) em análise: podem ser os melhores auriculares abaixo dos 100 euros

Sven Rietkerk
Sven Rietkerk
16 Julho 2026, 18:09
8 min tempo de leitura
Traduzido e adaptado por Mafalda Vieira Santos.
9.0

Avaliações

Já não é muito frequente um novo par de auriculares me surpreender. Ainda assim, fiquei genuinamente impressionado quando liguei os Nothing Ear (3a) pela primeira vez. Não sei bem que magia a Nothing usa para conseguir este som nestes novos auriculares in-ear, mas o resultado é incrivelmente bom, especialmente tendo em conta o preço.

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Nothing Ear (3a)

Os Nothing Ear (3a) são os sucessores dos Ear (a) de 2024. Isto significa que trazem várias melhorias em relação a esse modelo anterior. As novidades surgem na forma de um driver ligeiramente maior, com 12 milímetros, suporte para áudio de alta resolução (Hi-Res) e LDAC, além de um cancelamento de ruído bastante superior. Nas últimas semanas, estes auriculares não me saíram dos ouvidos e tornaram-se a minha forma principal de ouvir música. Para mim, isso já diz tudo sobre a sua qualidade.

O que vem na caixa

  • Manuais
  • Os Nothing Ear (3a)
  • Estojo de carregamento
  • Pontas de silicone para os auriculares
Nothing Ear (3a) na caixa

O som é excecionalmente bom

Como referi na introdução, a Nothing encontrou uma fórmula que faz com que o som, e principalmente a música, brilhe nos Ear (3a). E estou a falar da experiência sem sequer tocar no perfil de áudio da aplicação. Logo ao saírem da caixa, os Ear (3a) já soam incrivelmente bem. A ligação também é feita sem qualquer esforço, graças ao emparelhamento rápido. Mas a qualidade sonora sobe de nível quando começas a personalizar as definições ao teu gosto.

Graças à minha experiência a analisar auscultadores e a tocar música, sei perfeitamente o que procuro nuns auriculares. Sei que partes da música precisam de um pequeno empurrão e, acima de tudo, onde sinto falta de detalhe. A Nothing oferece, como sempre, as ferramentas ideais para compensar essas falhas e elevar ainda mais a experiência. Claro que continuas limitado pela largura de banda do Bluetooth, mas acredito que a Nothing extraiu tudo o que era possível neste segmento de preço.

Nothing Ear (3a) auricular

Tenho de destacar a forma fantástica como os tons graves são reproduzidos. O baixo de uma música eletrónica ou de uma guitarra num tema de metal tem um impacto gigante. É aquele “soco” sonoro que preenche os ouvidos de forma muito satisfatória. Além disso, consegui compensar facilmente a minha necessidade de mais agudos, notando de imediato que o som fica no ponto.

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A Nothing tem possivelmente a melhor aplicação

As definições personalizadas de que falei podem ser ajustadas na aplicação da marca, a Nothing X. É aqui que configuras o equalizador incrivelmente detalhado ao teu gosto. Tens imensas opções que vão mesmo ao fundo da questão, permitindo adaptar o som exatamente àquilo que gostas de ouvir. Por mim, todas as marcas de áudio deviam adotar este nível de personalização imediatamente. Se não fores o tipo de pessoa que gosta de perder tempo com ajustes, podes sempre optar pelas definições rápidas ou usar equalizadores criados por outros utilizadores.

Para além de afinares o som, é também na app que configuras o áudio espacial, ajustas o cancelamento de ruído e personalizas os controlos de cada auricular. Esta última opção é mesmo essencial, mas falarei mais sobre os controlos na secção dos pontos negativos. Um conselho: não te esqueças de ativar o modo de baixa latência na aplicação. Caso contrário, vais notar que o som não acompanha o movimento dos lábios em vídeos do YouTube, Instagram ou TikTok.

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Confortáveis mesmo após várias horas de uso

O som está, portanto, mais do que aprovado. Mas a Nothing também pensou claramente no conforto. Podes usar estes auriculares durante horas a fio sem qualquer problema. É certo que isso não é propriamente uma novidade e é o mínimo que se exige hoje em dia, mas a marca incluiu pontas de silicone extra em vários tamanhos na caixa.

Mais uma vez, incluir pontas não é inédito, mas a Nothing oferece um tamanho adicional. Normalmente tens três opções de escolha, mas aqui tens quatro. Como o meu canal auditivo é enorme, preciso sempre do tamanho maior, mas acredito que pessoas com ouvidos mais pequenos também vão conseguir desfrutar destes auriculares sem problemas. Se quiseres ter a certeza de que escolheste o tamanho certo, a aplicação inclui um teste de ajuste. Infelizmente, a app não te diz se precisas de um tamanho maior ou menor, mas sempre é melhor do que não ter qualquer indicação.

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O cancelamento de ruído merece elogios

Os auriculares in-ear têm a vantagem natural de selar parcialmente o ouvido. Só por isso, já sofres menos com o barulho exterior em comparação com modelos abertos. No entanto, os Ear (3a) contam também com um cancelamento ativo de ruído (ANC) muito competente. Quando ativas esta função no comboio ou no escritório, consegues desfrutar da tua música em paz, isolar-te do ambiente e manter o foco no que estás a fazer. Especialmente no nível máximo, o cancelamento de ruído é tão bom que deixei de ser obrigado a ouvir as conversas dos meus colegas.

A bateria dura o tempo suficiente

A quantidade de música que cada pessoa ouve por dia varia bastante. No meu caso, a bateria integrada é mais do que suficiente para me dar música o dia todo. E isto inclui ter o cancelamento de ruído ativado, usar o modo de baixa latência e alternar entre vários dispositivos. O estojo de carregamento acrescenta ainda um bom par de horas à autonomia, mas a verdade é que raramente precisei de recorrer a ele.

Nothing Ear (3a) LED

Por falar no estojo, este inclui uma pequena e simpática faixa LED, um detalhe visual muito característico da Nothing. Graças a esta luz, consegues ver o nível da bateria, se os auriculares estão ligados e quando o estojo está pronto para emparelhar. Não é algo estritamente necessário, mas é um toque extra muito porreiro.

Os controlos nem sempre respondem bem

Provavelmente a culpa é dos meus dedos grossos, mas controlar os Nothing Ear (3a) através das hastes nem sempre corre da melhor forma. Por vezes quero alternar entre os modos de ANC ou avançar para a próxima música e os auriculares não respondem à primeira. Claro que posso simplesmente pegar no telemóvel e mudar as definições, mas demora sempre mais um pouco e seria muito mais prático se os controlos funcionassem sem falhas. É possível que pessoas com dedos mais finos não tenham este problema, mas foi algo que notei durante os testes.

Não trazem cabo na caixa

Como é óbvio, a Nothing também tem de contar os tostões para conseguir um preço tão competitivo. Já sabemos que os carregadores deixaram de vir na caixa devido a novas regulamentações, mas a ausência de um cabo USB-C foi uma novidade para mim. Felizmente tenho vários espalhados por casa, por isso não é um drama, mas ficaria bem à marca incluir pelo menos um cabo básico.

Nothing Ear (3a) estojo

Teria sido ainda melhor se o estojo suportasse carregamento sem fios. Percebo perfeitamente que isso iria encarecer bastante o produto e entendo a decisão de o deixar de fora. Ainda assim, seria aquele toque extra de conveniência.

A função de gravação é dispensável na prática

A Nothing destaca bastante a facilidade com que podes usar os Ear (3a) para gravar música, apresentações ou até chamadas telefónicas. No entanto, nas últimas semanas não houve um único momento em que eu pensasse que me daria jeito usar essa funcionalidade.

Quando tentei testar a função, deparei-me novamente com o problema dos controlos. Ao tentar iniciar uma gravação, o cancelamento de ruído desligava-se do nada ou a música começava a tocar. Também não consegui gravar o áudio de vídeos do YouTube. Para piorar, precisas de criar uma conta adicional para poderes guardar as tuas gravações na aplicação Nothing X, que de resto é excelente.

É porreiro ter a opção. Consigo ver a utilidade para quem grava aulas, apresentações ou reuniões, mas na prática muito pouca gente vai dar uso a isto. Se tivessem trocado esta função por um cabo USB-C na caixa, eu teria ficado bem mais satisfeito.

Conclusão

Feitas as contas, tenho de concluir que a Nothing lançou uns auriculares fantásticos no mercado. Com um preço recomendado ligeiramente abaixo dos 100 euros, é impossível não os recomendar. A autonomia da bateria é excelente, o cancelamento de ruído é fantástico e o som, que podes afinar totalmente ao teu gosto, define um novo padrão nesta gama. Por tudo isto, perdoo facilmente a falta do cabo USB-C e os soluços ocasionais nos controlos.

Alternativas

Nesta faixa de preço, podes também dar uma vista de olhos aos Sony WF-C710N. Estes auriculares partilham o mesmo preço recomendado de 99 euros. Outra opção, embora consideravelmente mais cara, são os Galaxy Buds 4 Pro. Tem em atenção que estes custam cerca de 170 euros. Se preferes a assinatura sonora da JBL, podes experimentar os Sense Pro, que também rondam os 99 euros.